TODOS OS SANTOS CAEM DO ALTAR

O presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, está a ver confirmar-se o que, por exemplo, o Folha 8 diz há bastante tempo. Ou seja, que ao primeiro sinal de mudança o seu séquito de bajuladores o passaria de bestial a besta. Preferiu ser assassinado pelo elogio do que salvo pela crítica. E se é assim apesar de ainda ser Presidente do MPLA, imaginemos quando deixar esse cargo. Paz à sua alma.

Hoje viu ser retirado o tapete institucional (não se sabe se alguma vez lhes tirarão o enorme cofre que têm a abarrotar por esses paraísos fiscais) a três dos seus filhos, Isabel, Tchizé e Coreon Du. Amanhã será a vez de José Filomeno de Sousa dos Santos “Zenú” tombar do Fundo Soberano.
A mais recente denuncia do “Paradise Papers” (que o Folha 8 noticiou e analisou), destacou aquilo que José Eduardo dos Santos – como chefe da orquestra – muito bem sabe: uma gestão danosa e doloso, bem como desvio de fundos das receitas do Fundo Soberano.
“Não fui eu que sugeri as suas indicações, pois foram camaradas da direcção do partido e do executivo que trouxeram as propostas dos seus nomes, mas, agora, ninguém quer assumir e, todos me apontam o dedo como o único responsável, pelo fraco desempenho ou teimosia, por ser pai e ex-presidente da República”, lamentava há dias José Eduardo dos Santos, segundo uma fonte do F8.
Procurando evitar uma monumental vergonha, Dos Santos terá chamado os filhos para os aconselhar a apresentarem a demissão a João Manuel Gonçalves Lourenço. Não aceitaram. Isabel foi hoje exonerada e Zenú é o senhor que se segue. Mesmo que apenas a nível partidário, a imagem e credibilidade de José Eduardo dos Santos estão com níveis alarmantemente negativos. Nem os poucos indefectíveis bajuladores conseguem esconder o mal-estar.
Na Sonangol, por exemplo, a falta de combustível no país, mais concretamente, gasolina e gás butano, depois de Isabel dos Santos ser a Presidente do Conselho de Administração, tendo lá instalado um séquito de técnicos portugueses, indianos, ingleses e americanos, nunca visto antes, não conseguiu, mau grado a PCA da Sonangol os ter apresentado como sendo a fina-flor da competência, inverter o quadro.
Noutro extremo, tem-se o alto custo do cimento, fabricado e comercializado pela Cimangola, empresa pública, mas transferida para a gestão de uma empresa de Isabel dos Santos e para o marido, que deveria ser a bandeira para – entre outras valências potenciadoras da nossa tao carente economia – a prometida construção de um milhão de casas, mas tem estado a ser um entrave à construção e ao dinamismo do sector.
O caso mais recente da falta de provisão expectável do Fundo Soberano, gerido por Filomeno dos Santos, com a denúncia de os 5 mil milhões (vulgo biliões) de dólares, terem sido mal investidos, aliado ao facto da gestão estar a ser feita por um sócio, amigo e mentor, Jean Claude Bastos de Morais e uma empresa em que Filomeno dos Santos é sócio; a Quantum Global.
O estranho é estar (ainda estar) um Fundo Soberano de Angola (criado em 2012), nas mãos de um homem condenado, no dia 13 de Julho de 2011, pelo Tribunal Penal de Zug, por alegada sonegação fiscal, pagamentos ilegais, burla e desvio de fundos de uma sociedade, segundo denúncias das autoridades suíças.
“Ele tem andado muito triste, pois acredita ter ajudado muitos camaradas e agora, como as coisas não dão certo, todos estão a apunhalá-lo pelas costas, como se fosse o único responsável pela crise que o país atravessa, como se fosse o único corrupto, o único que os filhos gerem empresas e que mais ninguém enriqueceu com a sua ajuda”, assegurou (antes das notícias de hoje) ao F8 uma fonte muito próxima de José Eduardo dos Santos.
No caso de Isabel dos Santos, não se tratou apenas de uma exoneração. Foi um enxovalho para a filha de Eduardo dos Santos. Isto porque João Lourenço escolheu para a substituir Carlos Saturnino que esteva a comandar a Sonangol e que foi afastado por Isabel dos Santos que o acusou de “desvios financeiros”.
Carlos Saturnino, economista de profissão, já trabalhou em empresas do sector petrolífero como a Sonils e Sonamet. “Não é correcto, nem ético, atribuir culpas à equipa que somente esteve a dirigir a empresa no período entre a segunda quinzena de Abril de 2015 e 20 de Dezembro de 2016”, respondeu na altura Carlos Saturnino, que em pouco mais de um mês como secretário de Estado dos Petróleos, nomeado por João Lourenço, tutelou a Sonangol.
Apesar deste sinal de João Lourenço (pôr Carlos Saturnino como secretário de Estado dos Petróleos), Isabel dos Santos manteve-se agarrada ao tacho. Não percebeu que a nomeação de Saturnino para secretário de Estado foi o primeiro degrau para o seu regresso à liderança da Sonangol.

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